quarta-feira, 16 de outubro de 2019


Grupo Mães que Choram BH

Missão
Propiciar atendimento psicossocial gratuito às que mulheres perderam seus filhos ou cujos filhos estejam em situação de risco, contribuindo para o seu crescimento pessoal e emocional, apoiando e estimulando a sua autovalorização.
Visão
Ser uma ONG reconhecida em Belo Horizonte, pelo acolhimento de mulheres   em situação de angustia e risco, através da oferta de apoio psicossocial e programas que fomentam geração de renda.
Valores
Respeito- pelo ser humano  e suas histórias de vida,
Valorização- da natureza humana  em todas as faixas etárias,
Solidariedade- entre os seres humanos , porque trabalhando juntos se fortalecem, e
Responsabilidade social e econômica, onde as  famílias  encontram um novo caminho para empreender na vida, e superar suas dores.


Nossa História
No ano de 2012, Elizete Marques, uma mulher negra e moradora da periferia no bairro Paulo VI, então com 49 anos, perde seu filho, assassinado por outro jovem da comunidade. Ela conta que, para sobreviver à experiência dilacerante, iniciou uma jornada de solidariedade, em busca de outras mães que estivessem passando pela mesma dor, pois após a morte de seu filho ela percebeu que o assassino de seu filho era também filho de uma mãe que chorava, assim ela vai a casa da mãe do rapaz que assassinou seu filho e foi preso à abraça e a convida para juntas superarem a dor de não ter os filhos mais juntos com elas… em um ato de perdão e sabedoria ela inicia uma jornada pela comunidade em busca de outras mulheres convidando-as a se organizarem num coletivo de ajuda mútua. Assim, Elizete começa uma jornada e começam a se reunir em espaços públicos do bairro, em encontros nos quais passaram a compartilhar suas histórias e angústias e a buscar caminhos para apoiar outras mães com filhos em situação de risco de morte e mães que perderam seus filhos assassinados nascendo dessa iniciativa o grupo Mães que choram.
Hoje, o grupo conta com 10 voluntarias fixa é já atendeu mais de 1000 mulheres, assim o grupo realiza encontros de trocas e ajuda mútua(rodas de terapia comunitária) e angariou voluntárias para atendimento psicológico e jurídico, bem como para a realização de oficinas de bordado, artesanato e outros saberes ( tudo gratuito). O objetivo das oficinas é apoiar mulheres que não têm profissão e renda para sustentar suas famílias. O Mães que Choram também realizam ações e campanhas de sensibilização na sociedade acerca de problemas graves da região, como os altos índices de assassinato de jovens negros; o preconceito e a falta de oportunidades educativas, profissionais e mesmo de participação social enfrentadas pela juventude. O propósito e a força do grupo se fazem presentes no depoimento de Elizete.
"Somos todas mães que choram: as que perderam os filhos assassinados como eu, as que ainda têm os filhos envolvidos em situações de risco, as que estão com seus seus filhos presos, as mães dos policiais que também correm riscos todos os dias. Todas choramos, de formas diferentes, por nossos filhos. E essa dor nos impulsiona a lutar, a buscar juntas meios de mudar essa realidade tão marcada pela violência. Temos que mostrar às mães da nossa comunidade, da cidade e do mundo que podemos transformar nossa dor em apoio, em solidariedade, em mudanças sociais... Não precisamos sofrer sozinhas: podemos mudar nossa história e também as de outras mães. Precisamos contar isso ao mundo."
Do ano de sua fundação até os dias atuais o grupo mães que choram realizou várias ações na comunidade, além das rodas de terapia comunitária que aconteceram ao longo dos anos, realizamos alguns  casamentos comunitários, realizamos bazares e feiras de artesanato e comida com o intuito de gerar renda e circular na comunidade os produtos artesanais produzidos durante alguns cursos que ofertamos gratuitamente para mulheres são cursos de artesanato com recicláveis,bordado,artesanato com madeira e vidro além de pintura em tecido. Já nesse ano de 2019 eu que sou jornalista e membro do grupo vou transformar as histórias do grupo em um documentário e por conta desse documentário criou -se uma rede Nacional chamada mães de luta que conectou mulheres de todo Brasil. Essa rede está junto com uma deputada Federal que junto com as mães pleiteia na assembleia legislativa um projeto de lei que instituirá uma semana na Cidade de BH em homenagem as mulheres de luta. O movimento conectou as mães de maio no Rio, mulheres da sé de São Paulo, mulheres de Salvador, e de BH as mulheres da casa do acolher no morro das pedras, as mulheres artesãs do Taquaril, E o as mulheres do movimento ante-encarceramento dos jovens negros.


Onde estamos nossa região
O grupo Mães que choram nasceu em Belo Horizonte no ano de 2012 no Paulo VI. Localizado na Zona norte da cidade. O bairro Paulo VI faz divisa com o bairro Ribeiro de Abreu, Conjunto Paulo VI e região Beira Linha (localizada na fronteira entre tais bairros).É uma região que engloba bairros que estão entre os mais distantes do centro de Belo Horizonte e são habitados por uma população pobre (renda familiar média de até dois salários mínimos), em sua grande maioria composta por negros e pardos. Em boa parte das famílias, é a mulher que chefia e cria sozinha os filhos. Os bairros dessa região possuem problemas de infraestrutura urbana os mais diversos e estão entre os de mais baixo IDH da cidade.
A região nordeste também foi destacada pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte como prioritária para ações de mitigação de situações de risco e vulnerabilidade social, conforme indica o Mapa de “Áreas Prioritárias para Inclusão Social e Urbana”. Por fim, segundo dados compilados pelo jornal O Tempo em agosto de 2018, a taxa de homicídios na região chega a atingir mais de 90,0 por 100 mil habitantes, ultrapassando o índice de mortes em Honduras, que é o país com maior taxa de homicídios do mundo (55,5 por 100 mil habitantes).
O contexto acima descrito é especialmente dramático para a população jovem. Segundo dados do Ministério da Saúde, das 60 mil pessoas assassinadas por ano no país, 67,9% têm entre 15 e 19 anos e, destes, 71,5% são negros e negras. Entre a população jovem negra assassinada, 93,4% são do sexo masculino.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) destaca que o homicídio é a principal causa de mortalidade da juventude masculina no país, hoje, e avalia que essa é uma das maiores tragédias de nossa nação na atualidade, com implicações negativas na dinâmica demográfica e no desenvolvimento socioeconômico do país.
A filósofa e ativista Djamila Ribeiro chama a atenção para o fato de que nossa sociedade naturalizou as mortes de jovens negros, pobres e moradores de periferia. Ela indica que essas mortes, via de regra, não geram comoção social. E nos conclama a mudar esse olhar, a reconhecer que vidas negras importam.
Judith Butler, também filósofa, nos diz que o reconhecimento do valor das vidas negras é reivindicado de forma contundente em manifestações de luto público – mobilizações em que grupos de pessoas vão a público para chorar a morte de sujeitos cujas vidas foram interrompidas injustamente. Ela afirma que esse luto é um ato político: quando as vidas são consideradas sem valor, é preciso se contrapor ao discurso que as desqualifica, insistindo que a perda dessas vidas é inaceitável.
O luto uniu as Mães da Praça de Maio, mulheres argentinas que, em 1977, passaram a se reunir na Praça de Maio, em Buenos Aires, para exigir notícias de seus filhos, desaparecidos durante a Ditadura Militar. Ainda hoje, às quintas-feiras, elas realizam manifestações na Praça de Maio, buscando manter o desaparecimento de seus filhos vivo na memória dos argentinos. Também foi para dar visibilidade ao luto e para exigir justiça que nasceu o movimento Mães de Maio, constituído por mães e familiares de 493 pessoas que foram assassinadas em maio de 2016, em São Paulo, por policiais e por grupos de extermínio ligados à polícia. Mobilizações dessa natureza, protagonizadas por mulheres que perderam os filhos e se uniram num clamor por justiça, se multiplicam pelo mundo e pelo Brasil.
O bairro Paulo VI que não tem muita estrutura comercial temos o comércio local que são 3 padarias 2 farmácias 1 posto de saúde 2 escolas Municipais  e  1 estadual, temos ainda 2 creches e vários bazares e topa tudo. Não temos Banco, lotéricas nem empresas grandes perto pois a criminalidade e muito forte aqui.

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