Grupo
Mães que
Choram BH
Missão
Propiciar
atendimento psicossocial gratuito às que mulheres perderam seus filhos ou cujos
filhos estejam em situação de risco, contribuindo para o seu crescimento
pessoal e emocional, apoiando e estimulando a sua autovalorização.
Visão
Ser
uma ONG reconhecida em Belo Horizonte, pelo acolhimento de mulheres em
situação de angustia e risco, através da oferta de apoio psicossocial e
programas que fomentam geração de renda.
Valores
Respeito- pelo ser humano e suas histórias de vida,
Valorização- da natureza humana em todas as faixas etárias,
Solidariedade- entre os seres humanos , porque
trabalhando juntos se fortalecem, e
Responsabilidade
social e econômica,
onde as famílias encontram um novo caminho para empreender na
vida, e superar suas dores.
Nossa História
No ano de 2012, Elizete Marques, uma
mulher negra e moradora da periferia no bairro Paulo VI, então com 49 anos,
perde seu filho, assassinado por outro jovem da comunidade. Ela conta que, para
sobreviver à experiência dilacerante, iniciou uma jornada de solidariedade, em
busca de outras mães que estivessem passando pela mesma dor, pois após a morte
de seu filho ela percebeu que o assassino de seu filho era também filho de uma
mãe que chorava, assim ela vai a casa da mãe do rapaz que assassinou seu filho
e foi preso à abraça e a convida para juntas superarem a dor de não ter os
filhos mais juntos com elas… em um ato de perdão e sabedoria ela inicia uma
jornada pela comunidade em busca de outras mulheres convidando-as a se
organizarem num coletivo de ajuda mútua. Assim, Elizete começa uma jornada e
começam a se reunir em espaços públicos do bairro, em encontros nos quais
passaram a compartilhar suas histórias e angústias e a buscar caminhos para
apoiar outras mães com filhos em situação de risco de morte e mães que perderam
seus filhos assassinados nascendo dessa iniciativa o grupo Mães que choram.
Hoje, o grupo conta com
10 voluntarias fixa é já atendeu mais de 1000 mulheres, assim o grupo realiza
encontros de trocas e ajuda mútua(rodas de terapia comunitária) e angariou
voluntárias para atendimento psicológico e jurídico, bem como para a realização
de oficinas de bordado, artesanato e outros saberes ( tudo gratuito). O
objetivo das oficinas é apoiar mulheres que não têm profissão e renda para
sustentar suas famílias. O Mães que Choram também realizam ações e campanhas de
sensibilização na sociedade acerca de problemas graves da região, como os altos
índices de assassinato de jovens negros; o preconceito e a falta de
oportunidades educativas, profissionais e mesmo de participação social
enfrentadas pela juventude. O propósito e a força do grupo se fazem presentes
no depoimento de Elizete.
"Somos todas mães que choram:
as que perderam os filhos assassinados como eu, as que ainda têm os filhos
envolvidos em situações de risco, as que estão com seus seus filhos presos, as
mães dos policiais que também correm riscos todos os dias. Todas choramos, de
formas diferentes, por nossos filhos. E essa dor nos impulsiona a lutar, a
buscar juntas meios de mudar essa realidade tão marcada pela violência. Temos
que mostrar às mães da nossa comunidade, da cidade e do mundo que podemos
transformar nossa dor em apoio, em solidariedade, em mudanças sociais... Não
precisamos sofrer sozinhas: podemos mudar nossa história e também as de outras
mães. Precisamos contar isso ao mundo."
Do ano de sua fundação
até os dias atuais o grupo mães que choram realizou várias ações na comunidade,
além das rodas de terapia comunitária que aconteceram ao longo dos anos,
realizamos alguns casamentos comunitários,
realizamos bazares e feiras de artesanato e comida com o intuito de gerar renda
e circular na comunidade os produtos artesanais produzidos durante alguns
cursos que ofertamos gratuitamente para mulheres são cursos de artesanato com
recicláveis,bordado,artesanato com madeira e vidro além de pintura em tecido.
Já nesse ano de 2019 eu que sou jornalista e membro do grupo vou transformar as
histórias do grupo em um documentário e por conta desse documentário criou -se
uma rede Nacional chamada mães de luta que conectou mulheres de todo Brasil.
Essa rede está junto com uma deputada Federal que junto com as mães pleiteia na
assembleia legislativa um projeto de lei que instituirá uma semana na Cidade de
BH em homenagem as mulheres de luta. O movimento conectou as mães de maio no Rio,
mulheres da sé de São Paulo, mulheres de Salvador, e de BH as mulheres da casa
do acolher no morro das pedras, as mulheres artesãs do Taquaril, E o as
mulheres do movimento ante-encarceramento dos jovens negros.
Onde estamos nossa região
O grupo Mães que choram nasceu em Belo Horizonte no ano
de 2012 no Paulo VI. Localizado na Zona norte da cidade. O bairro Paulo VI faz
divisa com o bairro Ribeiro de Abreu, Conjunto Paulo VI e região Beira Linha
(localizada na fronteira entre tais bairros).É uma região que engloba bairros
que estão entre os mais distantes do centro de Belo Horizonte e são habitados
por uma população pobre (renda familiar média de até dois salários mínimos), em
sua grande maioria composta por negros e pardos. Em boa parte das famílias, é a
mulher que chefia e cria sozinha os filhos. Os bairros dessa região possuem
problemas de infraestrutura urbana os mais diversos e estão entre os de mais
baixo IDH da cidade.
A
região nordeste também foi destacada pela Prefeitura Municipal de Belo
Horizonte como prioritária para ações de mitigação de situações de risco e
vulnerabilidade social, conforme indica o Mapa de “Áreas Prioritárias para
Inclusão Social e Urbana”. Por fim, segundo dados compilados pelo jornal O
Tempo em agosto de 2018, a taxa de homicídios na região chega a atingir mais de
90,0 por 100 mil habitantes, ultrapassando o índice de mortes em Honduras, que
é o país com maior taxa de homicídios do mundo (55,5 por 100 mil habitantes).
O
contexto acima descrito é especialmente dramático para a população jovem.
Segundo dados do Ministério da Saúde, das 60 mil pessoas assassinadas por ano
no país, 67,9% têm entre 15 e 19 anos e, destes, 71,5% são negros e negras.
Entre a população jovem negra assassinada, 93,4% são do sexo masculino.
O
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) destaca que o homicídio é a
principal causa de mortalidade da juventude masculina no país, hoje, e avalia
que essa é uma das maiores tragédias de nossa nação na atualidade, com
implicações negativas na dinâmica demográfica e no desenvolvimento
socioeconômico do país.
A
filósofa e ativista Djamila Ribeiro chama a atenção para o fato de que nossa
sociedade naturalizou as mortes de jovens negros, pobres e moradores de
periferia. Ela indica que essas mortes, via de regra, não geram comoção social.
E nos conclama a mudar esse olhar, a reconhecer que vidas negras importam.
Judith
Butler, também filósofa, nos diz que o reconhecimento do valor das vidas negras
é reivindicado de forma contundente em manifestações de luto público –
mobilizações em que grupos de pessoas vão a público para chorar a morte de
sujeitos cujas vidas foram interrompidas injustamente. Ela afirma que esse luto
é um ato político: quando as vidas são consideradas sem valor, é preciso se
contrapor ao discurso que as desqualifica, insistindo que a perda dessas vidas
é inaceitável.
O
luto uniu as Mães da Praça de Maio, mulheres argentinas que, em 1977, passaram
a se reunir na Praça de Maio, em Buenos Aires, para exigir notícias de seus
filhos, desaparecidos durante a Ditadura Militar. Ainda hoje, às
quintas-feiras, elas realizam manifestações na Praça de Maio, buscando manter o
desaparecimento de seus filhos vivo na memória dos argentinos. Também foi para
dar visibilidade ao luto e para exigir justiça que nasceu o movimento Mães de
Maio, constituído por mães e familiares de 493 pessoas que foram assassinadas
em maio de 2016, em São Paulo, por policiais e por grupos de extermínio ligados
à polícia. Mobilizações dessa natureza, protagonizadas por mulheres que
perderam os filhos e se uniram num clamor por justiça, se multiplicam pelo
mundo e pelo Brasil.
O
bairro Paulo VI que não tem muita estrutura comercial temos o comércio local
que são 3 padarias 2 farmácias 1 posto de saúde 2 escolas Municipais e 1
estadual, temos ainda 2 creches e vários bazares e topa tudo. Não temos Banco,
lotéricas nem empresas grandes perto pois a criminalidade e muito forte aqui.